Big Data Analytics para Profissionais Non-Tech | Data Storytelling: a próxima habilidade que você precisa dominar - por Fabiano Castello

Artigo

15 Janeiro, 2019

Storytelling não é algo relacionado apenas a dados: o termo se popularizou associado ao mundo dos negócios. Max Franco, com certeza um dos mais entendidos do assunto no Brasil, afirma em seu livro "Storytelling e Suas Aplicações No Mundo Dos Negócios" (Amazon, R$63), que a "aplicabilidade moderna do storytelling é uma pulsão natural justamente porque é um recurso utilizado desde os tenros anos do ser humano.

Temos uma memória genética destes comportamentos. O caçador paleolítico, decerto, relatava para uma assembleia atenta às façanhas da sua caçada. Sócrates caminhava pela ágora narrando histórias para os seus seguidores. Cristo circulava pela Judeia criando parábolas para os seus discípulos. Os menestréis seguiam de cidade em cidade cantando seus versos e detalhando os atos heroicos dos cavaleiros cruzados e das lutas contra inimigos formidáveis. Apreciar histórias é dos aspectos mais comuns, antigos e profundos da alma humana. Todo homem, a priori, gosta de contar e de ouvir boas histórias."

Contar histórias não é um dom, é uma habilidade. E, como tal, pode ser desenvolvida. Se vale a pena começar pelo livro do Max Franco, que é de caráter mais geral e com uma leitura que flui quase como literatura, vale depois seguir por um caminho mais técnico, especialmente se o assunto é contar histórias com dados.

Já citei antes que, pessoalmente, o livro sobre DataViz que mais gosto é de Cole Nussbaumer Knafli, "Storytelling com Dados: Um Guia Sobre Visualização de Dados Para Profissionais de Negócios", que tem um preço salgadíssimo na Amazon (R$337) e somente existe em mídia física. Quando comprei ainda não havia esta versão traduzida, mas a editora é boa e, logo, a tradução deve ser também. Mas avalie bem, porque a versão original em inglês e digital - a que eu tenho -  é bem mais barata (~R$99).

Não é preciso investir muito tempo explicando fundamentos de storytelling com dados. Basta dar exemplos. Veja as figuras 2 e 3 abaixo, que saíram do livro da Cole Nussbaumer. São dois gráficos, que contém a mesma informação, mas o primeiro não tem storytelling:





É a mesma informação, mas perceba como o segundo gráfico transmite a mensagem de forma muito mais efetiva. Data storytelling serve para isso: engajar a audiência de forma que sua mensagem tenha uma chance maior de ser transmitida de forma eficaz. Olhando para os gráficos acima, qual tem mais chance de efetivamente conseguir a aprovação para contratar dois recursos adicionais? Percebe a mágica do data storytelling?

Na maior parte das organizações decisões por "feeling" vem cada vez mais sendo substituído por aquelas ditas "data-driven". Parte deste processo envolve a comunicação efetiva, e aí é que entra data storytelling, porque saber comunicar algo para alguém, no final do dia, é o que pode definir o sucesso ou o fracasso.  E vale para toda a organização, desde um analista mostrando o resultado de seu trabalho até o CEO numa apresentação de resultados para o conselho de administração. 

Se você parar para pensar um pouco, verá que as pessoas que você conhece que são analistas em geral tem um perfil quantitativo, ou seja, são boas em analisar dados. De outro lado o pessoal de marketing, que sabe contar as histórias, mas não tem habilidade para explorar dados e ter insights. Existe um gap entre estes dois mundos, e ao mesmo tempo uma oportunidade para aqueles que sabem priorizar o que é importante para sua carreira.

Como dito acima, contar histórias não é um dom, é uma habilidade. É questão de técnica e treino, e para contar uma boa história com dados há necessidade de passar obrigatoriamente por seis passos:

1. Entender o contexto

2. Escolher a forma correta de mostrar os dados visualmente

3. Eliminar o que não é necessário

4. Dar foco para o que você realmente quer transmitir

5. Pensar como se você fosse um designer

6. Contar uma história

Ao longo das próximas colunas vamos abordar cada um desses passos. Fique ligado no blog e, neste meio tempo, abra sua cabeça lendo o livro do Max Franco.


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