Cultura de Inovação | 8 Pilares da Inovação - Recursos que habilitam a Inovação - por Charles Schweitzer

Artigo

05 Janeiro, 2020

Atendendo ao chamado da Inova Business School, passarei a escrever mensalmente um artigo e, começarei com a série "Os 8 Pilares da Inovação", 8 artigos, portanto. Neste sétimo artigo, escreverei sobre "Recursos", o sétimo pilar:

1 Convicção para Inovar;
2 Liderança engajada com Inovação;
3 Equipe engajada com Inovação;
4 O Comitê de Inovação;
5 Tendências;
6 Processos que habilitam a Inovação;
7 Recursos que habilitam a Inovação;
8 Ambientes que habilitam a Inovação.

MODELOS MENTAIS

Existem no mercado contas mágicas, "cifras padrão" se assim preferirem chamar. Em Marketing fala-se entre 6 e 12% do Faturamento. Em RH estima-se que um patamar saudável esteja em até 40%. 

E, inovação, não é diferente. A diferença está, talvez na correlação que existe entre o percentual investido, a escala de prioridade e o atingimento de metas da organização. Um estudo da Strategy&, uma divisão da PWC que foi publicado no Ranking das 150 empresas mais inovadoras do Brasil mostra que, quanto mais próximo de 3% do Faturamento e, mais alta for a prioridade de inovação na organização, maior é o atingimento das metas daquela própria organização.

Há, contudo, um enorme risco aí: criar uma área de inovação, designar 3% do faturamento e esperar que a mágica aconteça...  

O CONCEITO

Em minha experiência, um fundo de inovação apenas, não é suficiente, muito embora, ele seja essencial. E, se essencial, merece um detalhamento... Inovação é, em si, algo imprevisível. Os modelos orçamentários clássicos das companhias não atendem às necessidades de inovação. É impossível que no último trimestre fiscal de um ano, alguém consiga prever a distribuição entre CAPEX e OPEX e, menos ainda, a mensalização do emprego deste recurso. Portanto, é essencial que abram-se linhas de capital que fiquem disponíveis à inovação para serem consumidas ao longo do ano.

O valor da inovação obviamente será medido em ROI e Payback. Afinal, tudo é ROI. Contudo, eles são secundários diante da construção de uma cultura de inovação. Vale, no entanto dizer que, embora eles sejam secundários, não quero em momento algum dizer que não devam ser medidos. Todas as inovações devem apresentar KPI’s. Sejam eles positivos, ou negativos. A maturidade de uma área de inovação se provará com o descarte rápido de ideias/inovações que não funcionam para dar lugar a novas ideias/inovações.

E, fechando o capítulo financeiro do ponto de vista de recursos, vale sempre a pena destacar que a área de inovação tem a capacidade de se auto-financiar, ao usar da Lei do Bem. A Lei do Bem, detalhada no Manual de Frascati, permite a utilização de incentivos fiscais pelas pessoas jurídicas que operam no regime fiscal do Lucro Real, que realizam pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica. A área de inovação pode capturar um benefício para a empresa muito superior ao só das iniciativas de inovação da própria área, tornando-a superavitária do ponto de vista econômico. Portanto, inovação pode se tornar rapidamente um "bom negócio".

Mas, como dizia no começo, não é apenas de dinheiro que a área de inovação precisa, mas sim, talvez do bem mais precioso da atualidade: tempo. Não importa se sua organização está rodando ainda em um formato hierárquico ou ágil, é preciso que a organização "abra" espaço para que as pessoas possam se dedicar à inovação. E, aqui podem surgir números mágicos novamente com boas práticas advindas do Vale do Silício... 10% do tempo livre para inovação, 1 dia da semana livre para inovação. E, de novo, estaríamos voltando a modelos mentais que podem não ser aderentes à inovação.

LET'S GO!

O mais importante, então não é percentual de tempo ou de faturamento que estará alocado à inovação em uma norma ou em um "valor" escrito na parede da organização. Mas, sim, o real empoderamento dos colaboradores para que eles possam investir tempo e dinheiro em um contexto em que efetivamente acreditam, com o consentimento de que eventualmente aquele projeto não trará ROI, nem Payback, mas pode colocar a organização em novos patamares de cultura e de desenvolvimento.

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