O que nos trouxe até aqui não nos leva para o futuro - por Renato Cecchetine

Inova em Foco

17 Outubro, 2018

Definitivamente os tempos tranquilos e de relativa facilidade na tomada de decisão das empresas ficaram para trás. O que temos hoje, não só no Brasil, mas no mundo todo são acontecimentos cada vez mais incontroláveis e que nos afetam sobremaneira. Tendemos a desejar um futuro sempre melhor que o presente. Se assim não fosse não teríamos construído tantos empreendimentos de sucesso que impactaram positivamente tanto a vida de tantas pessoas. 

Porém idealizamos futuros que são muitas vezes uma visão de um passado bom misturado com a tecnologia que está surgindo, dando a certeza de um futuro previsível. E não é, nem nunca será. O futuro é desenhado conjuntamente por mãos nada dependentes umas das outras, e portanto imprevisível. A tecnologia deu a cada um de nós o poder de sermos protagonistas desta construção. E isso transformou a capacidade de construção do nosso futuro. O que antes era decidido por poucas cabeças (e mãos) acaba por - inevitavelmente - ser fruto da interação entre as diversas cabeças que hoje estão ligadas através de redes muito mais eficientes que as que dispúnhamos anteriormente. Essa constante interação e facilidade de acesso à informação e ferramentas está produzindo um mundo muito melhor do que antes. Melhor, porém totalmente imprevisível. É isso que talvez mais incomode as pessoas. 

Caminhamos inexoravelmente ao futuro e os eventos continuam acontecendo em quantidade exponencial e com impactos exponenciais. E com tantos eventos concomitantes e interdependentes a probabilidade de encontrarmos "cisnes negros" é muitíssimo maior, para usar o conceito apresentado por Nassim Taleb. A todo momento somos colocados diante de situações cada vez mais inusitadas e temos que tomar decisões que não temos mais grandes certezas sobre seus impactos e resultados. Inteligência Artificial + Big Data + Nanotecnologia + Reconhecimento Facial + Geolocalização, para dizer o mínimo, transformaram os nossos negócios. Não se toma mais decisões corporativas sem levar em conta estas tecnologias e seus impactos. E o planejamento de longo prazo fica ainda mais complicado. 


A melhor maneira de se melhorar a qualidade da tomada de decisão sem arriscar o futuro da empresa é uma estratégia mais parecida com a das pequenas empresas e como as startups. Uma possibilidade é a divisão dos ciclos de decisão em períodos menores. Lembrando Amir Klink, especialista em nevegação em condições extremas, "o melhor plano é aquele que você pode mudar de 30 em 30 minutos". Ou seja, se você assume um compromisso ou uma direção com os stakehorlders por um período muito longo a necessidade de uma mudança no meio do caminho pode parecer fraqueza. Mas se você vai em ciclos curtos tomando as decisões no momento, de acordo com as condições do momento, tudo passa a fazer mais sentido para os mesmos stakeholders. Este é um dos  princípios das metodologias ágeis (Agile). 

Este momento que estamos atravessando de intensas mudanças - no Brasil e no mundo - não são passageiros. São o nosso novo normal. E para isso temos que ter novas ferramentas e técnicas de navegação. O que nos trouxe até aqui não nos leva ao futuro. Estamos fabricando este futuro juntos e apesar de uma ideia do que estamos construindo não sabemos exatamente onde chegaremos. Mas estaremos melhores se soubermos apreciar o momento e tomarmos as melhores decisões corporativas possíveis em cada momento. #tamojunto

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