Economia Criativa, a nova economia - Eliane El Badouy Cecchettini

Inova em Foco

15 Setembro, 2018

A economia criativa é um dos setores de crescimento mais rápido da economia mundial. É altamente transformadora em termos de geração de renda, geração de empregos e ganhos com exportações. Mas isso não é tudo. A economia criativa também gera valor não monetário que contribui significativamente para alcançar um desenvolvimento inclusivo e sustentável centrado nas pessoas.


Difundido e globalizado através do livro "Economia Criativa - Como ganhar dinheiro com ideias criativas" - de John Howkins, o conceito surgiu no final da década de 1990, quando o Departamento de Cultura, Mídia e Esporte do Reino Unido (DCMS) introduziu a ideia de que 13 subsetores criativos poderiam ser agrupados e rotulados como "indústrias criativas". 


A criatividade e a inovação humanas são os principais impulsionadores dessas indústrias e se tornaram a verdadeira riqueza das nações no século XXI. Desvendar o potencial da economia criativa envolve, portanto, promover a criatividade geral das sociedades, afirmando a identidade distintiva dos lugares onde ela floresce e agrupa, melhorando a qualidade de vida onde ela existe, aprimorando a imagem e o prestígio locais. Investir no setor criativo como motor do desenvolvimento social contribui para melhorar a qualidade de vida, o bem-estar das comunidades, a autoestima individual, o diálogo e a coesão.


Assim como em muitos outros países, as pessoas no Brasil não estão esperando que o governo ou as empresas produzam soluções para as necessidades da sociedade; elas estão sendo criativas e desenvolvendo suas próprias soluções.


Nossa diversidade é irresistivelmente encantadora. Incontáveis etnias, religiões, tradições musicais e sabores se conjugam em uma mistura lúdica de referências culturais. Esse sincretismo dá a liberdade de escolher o que funciona melhor para uma situação particular, dando ao povo brasileiro um rico repertório de pensamento criativo e uma natural abertura a novas formas de ver o mundo.


Séculos de caos e burocracia na economia formal também forçaram uma cultura de improvisação, de "se vira nos 30" tornando o Brasil a terra da "ginga" e das soluções criativas e inusitadas. 


Como um mercado emergente e cheio de oportunidades, o Brasil também tem muitos desafios. Um grande número de empresas criativas em todo o território brasileiro é de pequenas e microempresas, em alguns casos com menos de 10 funcionários, e frequentemente administrado por pessoas de diferentes idades, origens e gêneros do que aquelas que dominam setores mais tradicionais, sendo que muitas dessas empresas também têm um impacto social significativo. Entretanto, não possuem habilidades formais de negócios. 


Diante de um cenário global em constante mudança, é preciso desenvolver essas habilidades para que possam construir empresas criativas fortes e sustentáveis. 


Independente do momento difícil, todos os fatores estão no lugar da inovação social criativa no Brasil. Para os próximos anos, a estimativa é de crescimento acima da média mundial até 2021 - de 4,6%, enquanto a expectativa para o mundo é de crescer 4,2%, segundo estudo da consultoria PwC. É preciso olhar para esse mercado com a mesma atenção que se olha para outros segmentos consolidados há mais tempo. Os negócios criativos ligam os pontos do mercado e criam uma espiral de desenvolvimento e inovação poderosa, com efeitos positivos em toda a economia.

Então, anime-se!! Quem sabe você tem projeto inspirador só precisando de um incentivo?




Eliane El Badouy Cecchettini, Badu como é conhecida no mercado, é publicitária, professora, coordenadora da Pós-Graduação de Economia Criativa da Inova Business School, palestrante e conferencista. Seus mais de 30 anos de carreira foram construídos em grandes grupos de comunicação como Editora Abril, Folha de S.Paulo e Sony Enterteniment Television e agências de propaganda. Em sua trajetória profissional atendeu contas como Mc Donald?s, Tetra Pak, 3M, FIAT, CPFL, Souza Cruz, Unilever, Johnson & Johnson, Internacional Paper entre outras. É consultora de Futuro e Tendências e pesquisadora do comportamento, mecanismos de atenção e do consumo de mídia do jovem contemporâneo.

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