Cultura de Inovação | 8 Pilares da Inovação - Processos que habilitam a Inovação - por Charles Schweitzer

Artigo

05 Dezembro, 2019

Atendendo ao chamado da Inova Business School, passarei a escrever mensalmente um artigo e, começarei com a série "Os 8 Pilares da Inovação", 8 artigos, portanto. Neste sexto artigo, escreverei sobre "Processos", o sexto pilar:

1 Convicção para Inovar;
2 Liderança engajada com Inovação;
3 Equipe engajada com Inovação;
4 O Comitê de Inovação;
5 Tendências;
6 Processos que habilitam a Inovação;
7 Recursos que habilitam a Inovação;
8 Ambientes que habilitam a Inovação.

MODELOS MENTAIS

Processo é, em sua definição, algo mais ou menos assim: 

O processo é uma sequência de tarefas (ou atividades) que ao serem executadas transformam insumos em um resultado com valor agregado. A execução do processo de negócio consome recursos materiais e/ou humanos para agregar valor ao resultado do processo. Insumos são matérias-primas, produtos ou serviços vindos de fornecedores internos ou externos que alimentam o processo. Os resultados são produtos ou serviços que vão ao encontro das necessidades de clientes internos ou externos. 

Processo exige uma entrada/insumo conhecido. E, como resultado temos uma saída/resultado conhecido/esperado. Qualquer coisa diferente é portanto uma anomalia ou erro.

Como pode então um processo estar ligado à inovação se o processo é a antítese da inovação?

O CONCEITO

Embora exista uma ISO de Inovação, a 56002, e, ela tenha alguns pilares que orientam a Gestão da Inovação, a ISO 56002 dá uma atenção especial à liderança. Os líderes de uma organização precisam ser inspiradores e visionários, mas, isto nós já discutimos no segundo artigo desta série. 

Então, de fato, qual a base para se estabelecer um processo para a inovação e qual a relevância disto?

A meu ver, cada TIPO de inovação, requer uma METODOLOGIA para permitir que a inovação aconteça. Estas metodologias são, portanto, a base processual necessária.

A inovação incremental, em uma empresa avançada, do ponto de vista de transformação digital, ou seja, com a Jornada do Cliente mapeada e a estrutura humana distribuída em Squads que respondem a esta jornada, deve acontecer naturalmente nas Sprints, usando métodos ágeis.

Já a inovação disruptiva do tipo radical ou de ruptura pode sempre se apoiar na metodologia de Design Thinking, especialmente para estruturação de um Backlog.

A arquitetural, no entanto, vai exigir um canivete completo de metodologias e a previsibilidade, neste caso, é cada vez menor.  

Mas, na prática, isto é pouco relevante, especialmente para este artigo que não tem a pretensão de falar de metodologias para inovação, mas sim, sobre os processos que habilitam a inovação a acontecer em uma empresa.

Um processo para habilitar inovação, será quase sempre uma exceção a um processo que já existe. Ou um sub-processo que precisará ser criado. Vai de Compras ao Jurídico passando por toda a parte Operacional da empresa. E, aqui, eu me explico: não existe processo de compras com cotação de 3 empresas que pare de pé em um processo de contratação de Startups, nem NDA's com cláusulas milionárias que possa ser aceito, em bom senso, por Startups que sequer tracionaram seus modelos de negócios a ponto de já estarem operando no azul. Pagamentos? Que Startup sobrevive, por exemplo, aos métodos tradicionais de pagamento do Varejo onde eles foram pensados na lógica de uma economia com estoques físicos e não serviços?

LET'S GO!

O mais importante, então não é o processo que você irá criar para a composição de novas ideias, ou ainda sobre as metodologias, mas o quão permeável você vai precisar tornar sua organização à inovação.

Inovação deve estar intimamente ligada ao Back Office da organização, desafiando o status quo de todos os processos que funcionam para o negócio em seu formato usual. E, estas áreas precisam igualmente querer fazer a inovação acontecer, empoderadas pela liderança.

Vejam, o maior de todos os objetivos de inovação de uma companhia sempre será o de matar a companhia criando um novo e mais sustentável modelo de negócios. O maior objetivo dos processos é o de preservar os negócios da companhia, como eles existem.

Deve-se, portanto, estabelecer uma parceria, minimamente, entre as áreas Comercial, Jurídica e Financeira das companhias com a área de inovação para que a companhia possa se permitir esta re-invenção. Contudo, é preciso que se diga: cada inovação depois de testada, pode e deve ser processualizada. 

Inovação e processos. Yin Yang. Dois lados de uma mesma moeda.

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