Cultura de Inovação | 8 Pilares da Inovação - Equipe Engajada com a Inovação - por Charles Schweitzer

Artigo

17 Setembro, 2019

Atendendo ao chamado da Inova Business School, passarei a escrever mensalmente um artigo e, começarei com a série "Os 8 Pilares da Inovação", 8 artigos, portanto. Neste terceiro artigo, escreverei sobre a "Equipe Engajada com a Inovação", o terceiro pilar:

1. Convicção para Inovar;
2. Liderança engajada com Inovação;
3. Equipe engajada com Inovação;
4. O Comitê de Inovação;
5. Tendências;
6. Processos que habilitam a Inovação;
7. Recursos que habilitam a Inovação;
8. Ambientes que habilitam a Inovação.

TODOS SÃO INOVADORES

Se você fizer o fact checking desta história, é bem provável que ela não pare de pé, mas é boa demais para ser ignorada... 

Conta a história que em meados da década de 70, depois de sucessivos bons resultados financeiros e de satisfação de seus Clientes B2B, em uma linha de produção de pastas de dentes, de uma gigante do mercado, tomou-se a decisão de acelerar a linha. Tal decisão teve um enorme impacto no próximo trimestre. O nível de satisfação dos Clientes diminuiu drasticamente. O problema é que ao acelerar a linha, várias caixinhas de papelão saiam sem o tubo de pasta de dentes dentro...

Foram contratados 2 consultores/engenheiros e investiu-se alguns milhões de dólares naquilo que seria a solução ideal. Uma balança de altíssima precisão integrada a freio de linha de produção e um braço hidráulico que poderia remover a caixinha vazia/divergente da linha.

Na pesquisa de satisfação seguinte, 3 meses depois, os índices voltaram ao nível padrão. O problema estava definitivamente solucionado. Contudo, curioso com a correlação do erro com a satisfação, o presidente da empresa quis saber a quantidade de erro gerada mês a mês. O pedido foi descendo na hierarquia até que finalmente chegou-se à linha de produção mais uma vez. A "engenhoca" estava desligada. Na verdade, havia permanecido ligada apenas 1 dia. Os funcionários detestaram a solução que os atrapalhava no processo. Fizeram uma vaquinha e compraram um ventilador portátil, que apontado para a linha de produção, encarregava-se de soprar caixinhas vazias sem a necessidade de reduzir a velocidade de produção ou mesmo pará-la com a máquina.

Consultores externos podem até chegar a soluções funcionais. Mas, a grande lição aqui é que os StakeHolders, a Equipe, tem que ser engajada com a inovação.

QUAL O PAPEL DA EQUIPE DA EMPRESA NA INOVAÇÃO?

O maior erro que se pode cometer é o de trancar todo mundo em uma sala de reunião e, um líder pedir: "Agora eu quero ideias! Vamos inovar!". A chance de não sair nada, ao final da reunião é enorme. E, isso acontece com mais frequência do que se imagina no mundo corporativo...

As equipes, de uma maneira global, não são orientadas à inovação. Ainda estamos vivendo a transição entre nossas carreiras lineares e formações igualmente lineares, para carreiras e formações não estruturadas, então, é bem possível que 80% dos nossos recursos humanos estejam orientados apenas sobre sua missão técnica com formação igualmente técnica sobre aquele tema. Inovação? Parece algo feito exclusivamente para mentes extremamente brilhantes como Steve Jobs, Bill Gates ou Elon Musk.

Portanto, a equipe precisa ser formada primeiro sobre o que é inovação. Os dois tipos, pelo menos: incremental e disruptiva. No dia a dia, a equipe tem uma enorme responsabilidade de criar e implantar a inovação incremental. A vigilância constante sobre os processos dos quais é responsável, pensando sempre na sua simplificação, é talvez a maior contribuição sobre inovação que a equipe pode ter. Mas, para além disso, medir os resultados de qualquer teste, é fundamental. Somos uma sociedade corporativa movida por indicadores. Se você quiser ser visto como inovador, além das transformações, precisa saber demonstrar seu impacto.

Então, uma equipe engajada com a inovação precisa:

1. Ser consciente e inconformada sempre.
Veja, não falo aqui de um inconformismo associado a reclamações. O papel de alguém inconformado com processos não é o de distribuir culpas às outras pessoas ou departamentos. Mas, se um colaborador, identificar uma potencial melhoria, deve colocar sobre si a responsabilidade de mover a organização para permitir que sua inovação seja testada. 

2. Líderes e Seguidores tem o mesmo peso.
Há um mantra dizendo que somos "todos líderes", mas isso do ponto de vista de uma organização é muito ineficiente. Seguidores, especialmente o primeiro, tem o mesmo peso de um líder. Um líder, que nada tem a ver com crachás ou cargos, inicia um movimento. O primeiro seguidor é aquele que tem coragem para apostar sua reputação/condição igualmente e é, quem acaba gerando movimento. Quando alguém inicia algo não previsto dentro da organização, em geral, precisará estruturar depois com áreas como TI, RH, Jurídico, ... Então, é preciso que você consiga se engajar com boas ideias e líderes, mesmo que a ideia não seja sua. Há muitas pedras no caminho de uma nova ideia dentro das corporações. Seguidores são os removedores destes obstáculos.

3. Perceba que a inovação é um movimento pendular.
Uma inovação nunca vai nascer de um processo. Se algo diferente sair de um processo, é um erro ou anomalia. Portanto, se você pertence a uma área de controle da organização e uma inovação estiver acontecendo. Primeiro ajude a fazer a inovação parar de pé, depois cerque-a de documentação e processos. Se você, como um dos colaboradores da empresa ativer-se somente aos seus processos, você se tornará o matador da inovação.

LET'S GO!

Forme a sua convicção. Equipes no fundo são grandes líderes ou seguidores. Não importa. É fundamental que haja uma mudança cultural também de baixo para cima para que os times se engajem com a inovação. Sistemas lentos, áreas travadas, tudo é uma oportunidade de fazer inovação incremental ou disruptiva. As queixas, nada resolverão. Esteja à disposição dos inovadores ou assuma a responsabilidade pela inovação. Não delegue. É uma responsabilidade sua e coletiva.  

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